A Cerâmica Grega - Parte 1 - Estilos e Períodos

O homem desde tempos remotos produz cerâmicas. A palavra cerâmica provém do termo grego“kéramos”, que significa "argila". Elas eram produzidas porque se necessitavam de locais para armazenar água, gordura animal, cereais, etc. Em pouco tempo, porém, deixaram de ser meramente utilitárias, pois o homem passou a decorá-las para que fossem bonitas e também para distinguir propriedade.
Entre o artesanato artístico deixado pelos gregos, a cerâmica é a que tem um maior destaque, pois ela era considerada uma mercadoria de primeira necessidade pelas múltiplas funções que possuía (serviço doméstico, usos artesanais e comerciais, apoio às cerimônias religiosas ou fúnebres). O seu estudo é, entre o das outras artes gregas (arquitetura, escultura), aquele que melhor documenta a evolução da plástica grega e também a evolução social, cultural e política da história da Grécia. A produção e evolução da cerâmica grega é dividida principalmente em quatro estilos: Estilo Protogeométrico (séc. XI a X a.C.), Estilo Geométrico (sécs. IX e VIII a.C.), Estilo arcaico (final do séc. VIII ao séc. V a.C.), Estilo Clássico (sécs. V e IV a.C.). A seguir, veremos com mais detalhes as peculiaridades de cada estilo/período. 

OS ESTILOS E PERÍODOS

Estilo Protogeométrico 
(séc. XI a X a.C.)


O estilo protogeométrico surgiu por volta de 1000 a.C., após a denominada invasão dórica (conceito usado pelos historiadores da Grécia Antiga para explicar a substituição dos dialetos e tradições pré-clássicas pelos que prevaleceram na época clássica, no sul da Grécia). A cerâmica produzida no período submicênico - período que precede o protogeométrico - possuía uma decoração constituída de traços e padrões modestos (imagem 1.1). Já a cerâmica produzida no período protogeométrico irá se caracterizar por um refinamento nessa decoração (imagem 1.2).. Esse refinamento dar-se-á por conta da introdução de alguns elementos, como por exemplo: círculos e semicírculos concêntricos e linhas onduladas e/ou linhas retas - traçadas rígida e paralelamente à base dos vasos. Além disso, formas como losangos e triângulos, e padrões como o xadrez, já estavam sendo inseridos (imagem 1.3). A produção de cerâmica protogeométrica foi realizada por toda a Grécia – inclusive em regiões como a Anatólia. No entanto, foi a cidade de Atenas a grande responsável por grande parte dessa produção. 

Estilo Geométrico 
(sécs. IX e VIII a.C.) 

No final do séc. IX, chega ao fim a chamada Idade das Trevas, um período de relativo empobrecimento cultural para os gregos. É nessa época que as cidades-estado gregas entram em ascensão (segundo a literatura de Homero). É nessa época também, que tem início o período geométrico.

1.1 Ilustração que mostra o simples esqyema de decoração realizado no período pré-protogeométrico

1.2 Ilustração que mostra o esquema de decoração mais sofisticado do período protogeométrico
1.3 Uma ânfora do período protogeométrico (início do século X). Nota-se que os desenhos nem são tortos nem brutos, o que indica que, mesmo simples,  o estilo protogeométrico era preciso em relação a disposição dos elementos.
1.4 A ânfora de Dipylon. Esta peça data do século VIII a.C (c. 760 750 a.C) e pode ser considerada, talvez, a mais famosa em estilo geométrico. Perceba o pequeno espaço que foi reservado para os elementos figurativos. Na cena, as estilizadas figuras negras representam um cortejo ou ritual funerário
O estilo geométrico de cerâmica é o estilo que sucede o protogeométrico. Esse estilo, como se pode deduzir, é caracterizado pela forte utilização de elementos dessa espécie na decoração dos vasos e das cerâmicas em geral. Um aspecto marcante são as faixas horizontais que estão presentes na maioria das peças produzidas nesse período. Entre essas faixas eram utilizados diversos elementos, como por exemplo: meandros, triângulos, losangos, linhas quebradas, contínuas ou em ziquezaque, gregas (espécie de desenho semelhante a um labirinto visto de cima), axadrezados, suásticas enfileiradas, entre outros. Esses desenhos eram escurecidos para que fossem realçados, criando assim um contraste com o fundo, que não era pintado, e, portanto, permanecia com o tom ocre da argila. Por volta do século VIII, elementos menos abstratos passam a ser introduzidos na ornamentação das peças. Esses elementos, figuras de pessoas e/ou animais, quase sempre contavam histórias de caça, ritos funerários, batalhas. No entanto, os ceramistas não pareciam preocupar-se com detalhes, pois as figuras que eram desenhadas eram excessivamente simples, tornando-se, diversas vezes, nada mais do que meras silhuetas negras. Os temas mais representados por essas figuras eram os funerais e as corridas. É importante destacar também, que não só elementos pictóricos sofreram mudanças. Elementos como a altura dos vasos, também foram alteradas. Neste período, eles foram ampliados gradativamente. Do mesmo modo, convém saber que muitas das peças que sobreviveram à passagem dos anos e conseguiram chegar até nós, foram utilizadas em funerais de aristocratas gregos e, portanto, provém dos túmulos dessas mesmas pessoas. A Ânfora de Dipylon talvez seja a mais famosa peça deste período (imagem 1.4). No final do século VIII, o estilo da cerâmica começa a sofrer grandes mudanças. As figuras passam a ser mais bem elaboradas e detalhadas. Tal sofisticação faz com que os ceramistas passem a reservar mais espaço para essas figuras, e menos para as figuras geométricas. Esta nova organização (e priorização) dos elementos irá contribuir para o fim do estilo geométrico. 

Estilo Arcaico 
(final do séc. VIII ao séc. V a.C.)

Período Arcaico é o nome que se dá ao período da Grécia Antiga que se situa entre 800 a.C. e 500 a.C, e no qual ocorreu grande desenvolvimento cultural, político e social. Nesta época começam a ser erigidos os primeiros templos inspirados em habitações micênicas, e surgem também os famosos kouros e korai. A cerâmica também passará por importantes mudanças, grande parte, no que tange à sua pintura. No entanto, para conhecer melhor a cerâmica deste período, é preciso ter em mente que o seu estudo foi dividido em duas fases: a fase Orientalizante e a Fase Arcaica. Veremos cada uma delas separadamente. 

Fase Orientalizante (até aproximadamente 650 a.C.)
Nesta fase a cerâmica sofre grandes influências orientais por causa dos laços comerciais entre as cidades-estado gregas e as cidades-estado da Ásia Menor. Os elementos figurativos acabam ganhando cada vez mais espaço (uma resposta à vontade crescente de narrar histórias/acontecimentos e/ou representar pessoas ou coisas). Essa figuração caracteriza-se principalmente pela utilização de elementos mitológicos, como por exemplo: grifos, górgonas, hydras, centauros, sátiros, quimeras, minotauros, harpias, entre outros. Além disso, elementos vegetais ou naturalistas (flores, folhas, plantas, árvores) também eram largamente utilizados.(Imagens 1.5, 1.6 e 1,7) Ao utilizar desenhos cada vez mais elaborados e complicados para compor a decoração das cerâmicas, os gregos também precisaram desenvolver técnicas que lhes permitissem essa sofisticação. Uma delas, talvez a mais importante, era a técnica da incisão. Ela consistia em fazer pequenos traços que eram realçados a vermelho ou branco, e que tinham por objetivo compor detalhes anatômicos ou aumentar os detalhes das vestimentas. 

Fase Arcaica (finais do séc. VII até cerca de 480 a.C.)
A grande inovação desta fase está no surgimento de uma nova técnica que consiste em pintar as figuras de negro e deixar o fundo mais claro, na cor original da cerâmica. Enquanto esta técnica era desenvolvida, a técnica da incisão (que já vinha sendo utilizada desde a fase anterior) era aprimorada. Agora, ela não só permitia dar mais detalhes às figuras, mas também fazia com que elas conseguissem transmitir maior expressividade e realismo através de elementos como barbas, cabelos, contornos de músculos e dobras de tecidos. No entanto, apesar das inovações aplicadas no modo de pintar a cerâmica, as figuras ainda continuavam sendo representadas de maneira estilizadas. A lei da frontalidade, uma técnica que consistia em representar rosto e pernas de perfil, olhos e tronco de frente (regra que não permitia muito dinamismo), ainda estava sendo seguida com rigor (imagem 1.8) Esse dinamismo, por outro lado, seria alcançado através da representação de novos temas. Esses temas eram cenas simples do quotidiano, como por exemplo: homens caçando, mulheres fiando, atletas, cenas familiares, etc. Foi também durante a fase arcaica que viveu um dos mais famosos e importantes ceramistas: Exéquias. Ele viveu por volta de 500 a.C. e 525 a.C., em Atenas, cidade que se tornara a principal produtora de cerâmica pintada no estilo das figuras negras e que, inclusive, exportava essa cerâmica para outras regiões do Mediterrâneo, como a Etrúria. Exéquias usou e aprimorou tanto a técnica de figuras negras, que suas peças tornaram-se famosas e singulares. O que fez com que se tornassem facilmente reconhecíveis como sendo de sua autoria. 

1.5 Aríbalo
1.6 Enócoa

1.7 Imagens  de peças da fase orientalizante do período arcaico. Nos aríbalos, (1.5 e 1.7), vemos que o estilo de pintura desenvolvido na fase orientalizante distinguiu-se  muito do que vinha sendo (ou do que será) produzido. Nota-se que os elementos figurativos ganharam mais importância, mais espaço, e que por conta disso ocupam agora boa parte da peça. Simultaneamente, dividem espaço com os marcantes elementos florais, que de tão importantes, em alguns casos ganharam grande destaque, como por exemplo na foto 1.6, onde é possível ver uma flor no alto da asa da enócoa.
1.8 Acima, imagem de uma ânfora do período arcaico. Perceba a riqueza de detalhes das figuras negras (abdômen, panturrilha, braços) proporcionada pela técnica da incisão. No entanto,o modo estilizado deixa evidente a presença da lei da frontalidade. O dinamismo fica por conta do tema tratado na pintura: atletas em uma corrida. A liberdade para retratar assuntos tão comuns foi uma novidade surgida no período arcaico.
1.9 Sítula
1.10 Acima,uma sítula de finais do período clássico. 360-40 a.C. Na pintura vemos o deus Dionísio sentado sobre panos e cercado de honrarias. A figura 1.10 mostra o fundo da sítula no qual é possível ver um rosto retratado de frente. O ceramista parece ter desistido da ideia, pois pintar o fundo das peças, assim como retratar rostos frontalmente não eream comuns nessa época.
Estilo Clássico 
(sécs. V e IV a.C.)

Denominamos de estilo clássico o que foi produzido na Grécia de 500 a.C à 300 a.C. A vitória sobre os Persas transmitiu aos gregos uma noção de segurança e independência que acabou influenciando a sua arte, fazendo com que a mesma se livrasse de todo remanescente oriental. Neste período, o povo grego encontrava-se em seu apogeu técnico, estético e conceitual, e a arte passou a ser considerada uma conseqüência direta da superioridade criativa, racional e filosófica de sua cultura. A grande novidade, no que tange à cerâmica, seria o modo revolucionário como esta passaria a ser decorada. Agora, toda a peça era pintada de negro, deixando-se sem pintar apenas as partes onde se localizariam as figuras, que eram detalhadas com pincéis finos e com tinta preta. Essa técnica (que era o oposto do que vinha sendo feito), é comumente chamada de figuras vermelhas sobre fundo negro (imagem 1.9). O objetivo, ao se empregar essa técnica tão ousada e diferente, estava no fato de que ela proporcionava maior perspectiva, dinamismo, realismo, naturalismo e expressividade. Embora esse modo de decorar ganhasse cada vez mais espaço, o modo antigo de produzir não parou de ser realizado. É importante destacar também, que não só o modo de pintar cerâmica havia evoluído e ganhado novas técnicas. A pintura e o desenho também evoluíram a passos largos nesse período através da implantação de técnicas tão famosas hoje em dia, como a perspectiva, claro-escuros e escorço. Outro fator que contribuiu demasiadamente para caracterizar o período clássico, foi a grande liberdade criativa experimentada pelos ceramistas desta época. Deste modo, passou a ser comum ver misturadas técnicas e estilos variados, como por exemplo: figuras negras e vermelhas pintadas sobre fundo amarelo ou branco, ou ainda, figuras negras misturadas com figuras brancas, e etc. Toda essa liberdade resultaria ainda no surgimento de um novo estilo de pintura: o estilo belo. Proveniente das oficinas da Ática e utilizado em peças com finalidades funerárias, o chamado estilo belo consistia em pintar a peça de branco e destacar as figuras e seus detalhes utilizando apenas traços finos com pincel e tinta preta. Em outros casos, a liberdade criativa proporcionou a criação de peças com figuras em alto relevo e peças com diferentes colorações – que alcançaram a policromia em certas ocasiões. 

3 comentários:

  1. Anônimo23/9/16

    isto é uma merda!

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  2. Anônimo23/9/16

    Só um canceroso para fzr esta merda!

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  3. Anônimo27/1/17

    Deveras uma exposição muito rica, muita qualidade envolvida neste trabalho. Continua o bom trabalho, porque causas nas pessoas uma certa motivação para o difícil dia a dia. Como um verdadeiro lusitano, foste e és, pelo que vejo, audaz, profundo e um grande corno. Eu papei a tua mulher, enquanto ela estava de 4, num sábado à noite. Seu filho da puta, mete a arte grega pelo cu acima.
    E com isto concluo a minha sincera opinião, espero que não faças mais merdas destas, porque não tens futuro nesta merda, seu corno, desgraçado, palhaço do caralho, vai te fuder meu filho da ganda puta, pênis, a tua mulher tem grande pacote.
    Xau fica bem, o resto de um bom domingo. :P

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